sábado, 1 de agosto de 2009

O (novo) julgamento de Sócrates

E a notícia espalhou-se. Será verdade?
Com quase novecentos anos, Portugal
Trouxe à humanidade
Mais uma descoberta crucial:

Sócrates era sofista (pensava que tudo sabia).

Enganou-nos a História, enganou-nos a Filosofia.

Então e aquela frase (quase uma lei)?
“Só sei que nada sei.”
È uma contradição!

Estaria enganado Platão?
Mentiu-nos Xenofonte na sua exaltação?
A constante procura do saber não era o seu dia a dia?
Enganou-nos a História, enganou-nos a Filosofia.

Mas em letra pequena pode ler-se em rodapé
Rasgando a descoberta que afinal não o é:

"Criador do choque tecnológico e da co-incineração".

Então…
Foi troca de personagem, erro no guião…

A Humanidade terá que esperar por outro dia.
Que me desculpem a História e a Filosofia.

O povo chamou sábio ao primeiro
Mas ele confessou-se ignorante.
O povo a este chama…bem, chama tudo.
Ele prossegue, entediado e pedante.

Faça-se outro julgamento! Qual a acusação?
Elabore-se já uma, de forma eloquente e astuta,
Que avancem Meleto, Anito e Licon!
Mas, por favor, nada de cicuta.

Choverão argumentos. O caso parecerá encerrado.
Em tribunal popular
O destino só poderá ser: condenado!
Porém, quando se esperar
Que, resignado, solte a conhecida exclamação:
“(…) enquanto tiver alento e força não deixarei de filosofar".
Arremessará, sem pudor nem hesitação,
Uma mão cheia de promessas que nunca irá consumar.

Sairá em ombros.
Sua herança: caos. Seu legado: escombros.

Um povo terá de esperar mais um dia.
Traídos pela História ficarão com a Filosofia.